caso não seja imediatamente redirecionado, estou em http://escritacarmim.blogspot.pt/

domingo, 27 de outubro de 2013

{senhor chofer por favor tire o pé do acelarador}

o tempo passa depressa demais, este foi o verão mais curto da minha vida e agora isto.
quatro.
nasceu ontem e já vai fazer quatro anos.
ele quer ter mais, quer ser crescido, quer ter dez.
não, não queiras, não cresças, peço-lhe eu.
fica para sempre pequenino, com cheiro a bébé, para sempre um bocadinho meu.
porque a vida nunca mais terá o mesmo encanto de agora, tu pequenino e eu ainda nova.
daqui a muito pouco tempo olharás para mim doutra maneira, não me darás tantos beijos, fugirás do meu colo e eu serei apenas mais uma cota.
não cresças, por favor, não cresças.
mas ele tem pressa de crescer.
não tivemos todos um dia?

sábado, 26 de outubro de 2013

{the end is near}

só pode ser o mundo a acabar, vou agora mesmo para um workshop de iniciação ao tricot.
tomem medidas, façam reservas de alimentos, pilhas, lanternas, sacos cama.
protejam os vossos.
boa sorte.

domingo, 20 de outubro de 2013

{euromilhões}

90% das vezes que telefono à minha mãe e à minha tia, não atendem.
a maioria das vezes porque não ouvem o telefone, outras vezes porque se esqueceram de o por a carregar e ainda outras vezes porque carregaram num botão por engano ou lhe tiraram o som.
hoje é domingo e atenderam, deve ser porque é dia do senhor, aleluia.
mas tive a conversa mais curta de todo o sempre com a minha mãe.
"olá mãe, estás boa?"
"hã?"
"mãe, sou eu, estás boa?"
"não te oiço"
"mãe, eu estou aos gritos, vê lá se tens o telefone bem ligado"
"estou na mesma"
"então já me ouves?"
"hã?"
"pronto mãe, eu ligo depois, beijinhos"
"hã?"
"beijinhos"
"hã?"
desliguei, é domingo e eu mereço descanso.
claro que já se passaram mais de dez minutos e a surda da minha mãe já podia ter dito à minha tia para me ligar, podia ser que ela me ouvisse ou, na loucura, que ligassem um dos muitos telemóveis que têm, todos guardados nas caixinhas, como novos, porque todos têm defeito.
mas não, lá em casa todos os telemóveis têm defeito, o telefone nem sempre funciona, elas não me ligam nenhuma e eu sou a ingrata que não quer saber delas, apesar de já ter gasto o equivalente a um salário mínimo nacional em telemóveis e chamadas para o café, para saber se estão vivas, porque não atendem o telefone.
as hipóteses de conseguir falar com elas e as hipóteses vir a ganhar o euromilhões devem andar taco a taco, sendo que para elas ligo muito e no euromilhões raramente jogo.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

{just like starting over}

profissão: começadeira.
o que eu adoro começar!
e sou boa a começar!
começo tudo, cada começo melhor que o anterior.
ai que bom que é começar, a adrenalina, as ideias a fervilhar, a pulsação acelerada, as madrugadas de novos começos, o 'cheirinho' a novo!
desta é que é, é mesmo isto!
adoro começar, criar o conceito, o design.
e sou boa a entusiasmar os outros com os meus começos.
por isso, se houver por aí alguma empresa que precise de começar um projeto, I'm your (wo)man!
sou muito criativa, comunicativa e entusiasta.
e boa em começos, já disse?
o depois fica por vossa conta, que eu aborreço-me depressa.


*título roubado desta canção

terça-feira, 15 de outubro de 2013

{companheiras}

a gata está doente.
outra vez.
chega esta altura do ano e a gata fica doente, como que para me relembrar da pior semana da minha vida, há quatro anos atrás.
a gata está doente e o meu coração enche-se de tristeza e de pena, não suporto vê-la sofrer.
a minha gata é velha e toda a velhice devia terminar com amor e dignidade, sem dor.
dou-lhe colo e encho-a de beijos, à minha companheira de há 16 anos.
gosto tanto de ti gata.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

{são nossas coisas, são coisas nossas}*

é uma coisa muito nossa, minha, isto de perguntar "gostas de mim".
ele responde invariavelmente "claro que sim, isso não se pergunta, isso é uma circunferência fechada".
e eu acho-lhe graça, que eu posso ser a raínha do pendant, mas ele é o rei das frases engraçadas.
rio e digo-lhe muitas vezes que se não fosse uma circunferência fechada, não seria uma circunferência, mas outra forma geométrica qualquer.
mas gosto que ele me responda sempre isto e ele gosta que eu lho pergunte.


* título inspirado nesta canção

{atualmente quase ex}

estou eu há coisa de 10 minutos a falar ininterruptamente ao telefone, de trivialidades, de como foi o meu dia, do tempo, da crise, de tudo e de nada e no fim atiro-lhe com um "e tu? gostas de mim?".
e ele nada, do lado de lá só a televisão como ruído de fundo.
mas tu estás-me a ouvir, pergunto.
diz que sim, que foi um corte na ligação, mas que foi só agora, de repente.
então o que é que eu estava a dizer, insisto.
sei lá, responde ele.
e é nestes momentos que preciso de muita  calma  para não fazer uma fita nem lhe desligar o telefone na cara.
neste campo ele tem muito a aprender com o meu ex-marido, que também não me ouvia mas que tinha desenvolvido a extraordinária capacidade de ir buscar num recanto qualquer do cérebro as últimas palavras que eu tinha dito.
uma vez terminei uma conversa, presencial mas igualmente trivial, com a famosa frase "e o coelhinho foi com o pai natal no comboio ao circo" (hum, talvez a frase só seja famosa para a minha geração e arredores).
e ele a acenar afirmativamente com a cabeça, mas de olhar vítreo colado à televisão.
e eu fiz-lhe o teste.
tu ouviste o que acabei de dizer, perguntei.
sim, ouvi claro que ouvi, respondeu ele (claro).
então repete lá.
e ele repetiu, o coelhinho foi com o pai natal no comboio ao circo, com a maior candura.
ao contrário de agora, que acho este episódio divertido, devo-lhe ter feito uma cena e ficado extramente magoada, deve ter sido este o momento em que percebi que os homens não ouvem sempre (quase nunca) as mulheres.
tantos anos depois já estou resignada, mas não curada.
já não fico magoada, mas sou acometida de fúria.
e o que me deixa furiosa não é que ele não me ouça, que nem eu sei do que estava para ali a falar por falar.
o que me deixa furiosa é o não reconhecimento do meu esforço por manter uma linha de comunicação, de normalidade, de interesse.
são nove e meia da noite e, apesar de para mim não ser o fim dum cansativo dia de trabalho, também a mim me apetece estar alienada no meu canto, sem pensar e a fazer as coisas de que gosto, como escrever no blog, ou a não fazer nada.
mas ainda assim fiz um esforço, peguei no telefone para saber dele e lhe falar de trivialidades.
seja como for hoje vou dar-lhe o tratamento silencioso, não lhe ligo mais, e não sei se amanhã de manhã lhe respondo ao habitual sms de "bom dia amor".
não por ainda estar furiosa, mas porque assim ele acha que fiquei amuada e me vai mimar e querer fazer as pazes.
sim, aprendi muito sobre as relações desde o meu (ex)casamento.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

{aíííí o azar}

a culpa só pode ter sido da puta da cigana, que eu estava com uma fezada que era desta que tinha ganho o euromilhões.
eu, que não sou dada ao jogo, joguei.
e mais: fiz um desvio para ir à papelaria que a andreia disse que me ía dar sorte.
o tanas!
claro que a culpa só pode ter sido da cigana, que a caminho do café dos bêbados* quase me arrancava um braço e eu a tentar fugir-lhe.
"aíííí esta cara linda é que me vai comprar uns óculos da moda! aíííí que são raibãeíííí verdadeiros!"
estou demodê e falida.
isto só pode ser mau olhado.


* o café dos bêbados é o local mais próximo da minha casa onde se pode apostar nos jogos da santa casa.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

{pumbas}

caí.
assim, desamparada, para trás.
estava à espera duma amiga num recanto dum jardim, escorregou-me o salto alto na relva e eu caí.
ziguezagueei e aterrei na relva, num declive, o rabo na relva inclinada para trás e as pernas abertas para o ar.
ou melhor, não sei muito bem como foi, à parte ter sentido o salto escorregar e o rabo aterrar.
isto das quedas é uma coisa que se passa au ralenti e ao mesmo tempo tão depressa.
nem sei se alguém viu, eu não vi ninguém, mas claro que não tirei os óculos escuros da cara.
podem-me ter visto as cuecas, mas a cara não.