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terça-feira, 5 de março de 2013

borboletas

uma vez trabalhei com um holandês que me disse que eu era uma pessoa borboleta, que as coisas que me diziam ou me aconteciam pareciam não ter nenhum peso em mim, que eu continuava a pousar de flor em flor, como se não se tivesse passado nada.
na verdade nesta altura o que se passava é que eu trabalhava com chefias déspotas, que se aproveitavam da inexperiência e imaturidade dos meus colegas, na sua maioria recém licenciados e no seu primeiro emprego, para exercerem pressão e os obrigarem a trabalhar de forma semelhante à escravatura.
não era o meu caso, eu já tinha 30 anos e aquele era o meu 5º emprego e não contavam com a minha teimosia natural.
mas não é verdade a crítica.
eu levo em consideração todas as críticas, penso nelas, mesmo quando inicialmente lhes reajo mal são objeto de meditação e, frequentemente, de ação corretiva.
de toda a panóplia de defeitos com que o cosmos me abençoou, o autismo não foi um desses defeitos.
sei ouvir e sei pensar.
e sei dar o braço a torcer.
e como doi às vezes dar o braço a torcer!
já fiz asneira da grossa na vida e nunca me arrependi, mas sempre assumi.
o arrependimento não faz parte de mim, tudo o que faço faço com convicção.
se me espalhei foi porque tinha a certeza de que não me ía espalhar ou então não tinha a certeza mas decidi arriscar na mesma.
claro que também já senti arrependimento, mas sinceramente não me lembro.
mas já me devo ter arrependido de magoar alguém.



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