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quinta-feira, 4 de abril de 2013

{a julieta}

quem morreu foi a julieta, a prima da minha mãe.
morreu velhinha, sem memória.
um dia em que fui visitar a minha mãe e a minha tia, estava a julieta sentada nas escadas à entrada do prédio, saia à meia banda e só um brinco nas orelhas.
disse que se tinha sentado ali para não estar sozinha em casa, assim, se lhe desse alguma coisa sempre a viam da rua.
perguntei-lhe porque desceu dois lances de escada em vez de subir um, porque não foi lá para casa.
respondeu-me que não se tinha lembrado e se eu agora estava lá a viver com a minha irmã.
foi estranho ir vendo a julieta ficar igual à mãe, mas ainda é mais estranho confundirem-me com a minha.
sempre que me perguntavam no emprego se tinha micas, respondia que o micas é o marido da julieta -diminuitivo de amilcar- agora perdeu a piada.
na minha família há nomes estranhos, sempre gostava de saber que raio passou pela cabeça da tia corica ao batizar as filhas.
os rapazes safaram-se, todos corridos com a letra j, mas além da julieta teve a eunice, a rosete e a brancolina.
se corica já não é um nome normal, brancolina não lembra a ninguém.

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