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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

{stop searching, start finding}

foi também mais ou menos por esta altura que me apaixonei pelo pedro paixão.
não foi apaixonei-me por pedro paixão, foi apaixonei-me pelo pedro paixão.
procurava avidamente saber tudo sobre ele, imaginava-o, lia citações, entrevistas, desejava-o.
foi assim.

(talvez por isso não me sentiria nem surpresa nem desiludida, muitos anos mais tarde, ao saber que ele é bipolar, que escreve na cama, tal como eu escrevia, e viria mesmo a sentir uma forte identificação para com o objeto de admiração)

carregava sempre comigo o livro "saudades de nova iorque", uma cidade que não conheço, e durante a viagem de comboio lisboa-sintra eu fugia para nova iorque, percorria ruas escuras, fumava cigarros e sentia ao meu redor o cheiro do metal quente dos carris.
sofria e expiava e elevava-me acima da minha dor.
havia uma frase repetida ao longo do livro que se tornou no meu mantra, que eu repetia mentalmente, que escrevia na beira das folhas dos cadernos e que queria muito perceber.
"stop searching, start finding".
e como eu precisava desesperadamente de começar a encontrar alguma coisa na minha vida, alguma coisa para além do que restava de mim, alguma coisa para além de sangue e orgãos e ossos e músculos e carne.
eu precisava tanto, tanto, tanto de uma alma!

lembro-me que tinha umas botas num tom camel quase mostarda com uma mochila da mesma cor, nunca tinha tido uma mochila, ainda que de senhora, e gostava da liberdade de movimentos que a mochila permitia.
num dia desses conturbados dias, ía eu apanhar o comboio, com as botas calçadas e a mochila às costas, calças e blazer azul escuro, camisa branca com um nó na cintura (era magra e de cara encovada pelo sofrimento que trazia em mim), mãos nos bolsos, quando reparei num homem que não tirava os ohos de mim.
o homem olhou durante muito tempo e aquilo fez-me bem, de alguma forma senti-me menos só e invisível, mas quando me sentei percebi que trazia a braguilha aberta.
ri para dentro, de mim mesma,  peguei no livro e lá estava outra vez aquela frase "stop searching, start finding" e pensei que se ainda conservava o humor e o sentido do ridículo, talvez afinal eu estivesse no bom caminho, num caminho qualquer para outra coisa melhor e mais feliz.
nesse dia o comboio fez lisboa-sintra e eu não fui até nova iorque, fiquei por ali, a reparar nas coisas e nas pessoas.

http://www.pedropaixao.net


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