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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

{atualmente quase ex}

estou eu há coisa de 10 minutos a falar ininterruptamente ao telefone, de trivialidades, de como foi o meu dia, do tempo, da crise, de tudo e de nada e no fim atiro-lhe com um "e tu? gostas de mim?".
e ele nada, do lado de lá só a televisão como ruído de fundo.
mas tu estás-me a ouvir, pergunto.
diz que sim, que foi um corte na ligação, mas que foi só agora, de repente.
então o que é que eu estava a dizer, insisto.
sei lá, responde ele.
e é nestes momentos que preciso de muita  calma  para não fazer uma fita nem lhe desligar o telefone na cara.
neste campo ele tem muito a aprender com o meu ex-marido, que também não me ouvia mas que tinha desenvolvido a extraordinária capacidade de ir buscar num recanto qualquer do cérebro as últimas palavras que eu tinha dito.
uma vez terminei uma conversa, presencial mas igualmente trivial, com a famosa frase "e o coelhinho foi com o pai natal no comboio ao circo" (hum, talvez a frase só seja famosa para a minha geração e arredores).
e ele a acenar afirmativamente com a cabeça, mas de olhar vítreo colado à televisão.
e eu fiz-lhe o teste.
tu ouviste o que acabei de dizer, perguntei.
sim, ouvi claro que ouvi, respondeu ele (claro).
então repete lá.
e ele repetiu, o coelhinho foi com o pai natal no comboio ao circo, com a maior candura.
ao contrário de agora, que acho este episódio divertido, devo-lhe ter feito uma cena e ficado extramente magoada, deve ter sido este o momento em que percebi que os homens não ouvem sempre (quase nunca) as mulheres.
tantos anos depois já estou resignada, mas não curada.
já não fico magoada, mas sou acometida de fúria.
e o que me deixa furiosa não é que ele não me ouça, que nem eu sei do que estava para ali a falar por falar.
o que me deixa furiosa é o não reconhecimento do meu esforço por manter uma linha de comunicação, de normalidade, de interesse.
são nove e meia da noite e, apesar de para mim não ser o fim dum cansativo dia de trabalho, também a mim me apetece estar alienada no meu canto, sem pensar e a fazer as coisas de que gosto, como escrever no blog, ou a não fazer nada.
mas ainda assim fiz um esforço, peguei no telefone para saber dele e lhe falar de trivialidades.
seja como for hoje vou dar-lhe o tratamento silencioso, não lhe ligo mais, e não sei se amanhã de manhã lhe respondo ao habitual sms de "bom dia amor".
não por ainda estar furiosa, mas porque assim ele acha que fiquei amuada e me vai mimar e querer fazer as pazes.
sim, aprendi muito sobre as relações desde o meu (ex)casamento.

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